Quem não tem o sonho de conhecer a maior floresta tropical do mundo, de respirar um dos ares mais limpos, já que dizem que a Amazonas é o pulmão do planeta. Conhecer esta maravilha era um dos pontos mais importantes e especiais da viagem para mim, sendo brasileira acho super importante conhecer uma das maiores riquezas que temos no país. Estava até com friozinho na barriga desse dia chegar… E chegou!

Como falei no post anterior, compramos um tour de 4 dias e 3 noites na floresta. Você tem a possibilidade de escolher entre alguns outros, mas achamos este o mais adequado para nós. Vamos ter 2 noites em um hotel de selva e uma noite literalmente no meio da floresta. Sobre o preço que pagamos, as agências sempre vão tentar tirar de vocês o máximo possível, então fique de olhos abertos e pechinche.

1 Dia

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Saímos de Manaus pela manhã de carro até o porto do Ceasa, depois pegamos uma voadeira (lancha para os manauaras) para cruzar o Rio Amazonas. Vimos o encontro das águas, quando o Rio Negro se encontra com o Rio Solimões, eles ficam um ao lado do outro sem se misturar por quilômetros. Com cores, densidades e temperaturas diferentes, é incrível ver este fenômeno de perto. Você pode colocar a sua mão na água e sentir a diferença de temperatura. Chegando do outro lado do rio, pegamos uma van por mais ou menos uma hora, e depois uma outra voadeira.

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No caminho passamos por casas coloridas flutuantes e vimos algumas famílias de caboclos. Depois da manhã inteira viajando chegáramos ao Hotel Ararinha. Lá encontramos os alemães que nos indicaram o tour, tinha um pessoal bem legal, todos europeus você acredita que não tinha nenhum brasileiro.

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Almoçamos todos juntos, uma comida super gostosa. Pela tarde saímos com um barco pequeno para explorar a região. No nosso grupo estavam nós dois mais 3 alemães. A primeira vista a floresta foi bem inspiradora, entramos em Igarapés em silêncio para tentar ver alguns animais na floresta. Tivemos sorte de ver um bicho preguiça, alguns macacos, várias iguanas, os botos e muitas espécies diferentes de pássaros.

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Voltando para o hotel no por do sol, e que por do sol maravilhoso no rio. Pelo deck ficamos apreciando este espetáculo da natureza. A noite todos os grupos se encontram para jantar, e depois beber uma cerveja no deck, jogar um papo fora e trocar experiências de viagens. No bar estava o Tucano, um cara super divertido bebendo sua cachacinha, deitado em uma rede dentro do bar e é claro trabalhando duríssimo para nos servir, mesmo sem sair da sua rede. Uma figura esse Tucano! Mesmo não falando inglês ele era o capitão da festa.

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2 Dia

Acordamos cedo para nossa próxima aventura, depois de um café da manhã super reforçado. Saímos de barco para uma parte da floresta não alagada, para fazer uma trilha e é claro tentar ver mais animais. Todos os passeios são acompanhados de um barqueiro e um guia. Com calça, blusa longa e muito repelente estávamos prontos para explorar a mata.

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O nosso guia foi na frente, pediu para fazermos silêncio para não assustarmos os animais. Andar no meio dessas árvores gigantes e centenárias é se sentir parte dessa natureza. Vimos vários macacos, corremos atraz deles para tentar ver de perto como crianças, umas aranhas enormes e assustadoras, e milhões de tipos diferentes de formigas, formigueiros enormes…. Depois voltamos ao barco, no caminho de volta ao hotel, vimos botos e vários pássaros nas ilhas flutuantes.
Almoço é tempo para descansar, por que hoje vamos dormir na mata! Agora a aventura começa de verdade!

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Com um grupo de 15 pessoas (alemães, eslovénios, irlandeses, suecos, e uma brasileira) mais 2 guias (Sean e a Janete) e dois barqueiros (um deles era o Silas, um menino super sorridente, ele nos acompanhou pelos 4 dias) saímos do hotel em dois barcos cheios, e com tudo o que iríamos precisar para dormir na floresta. Chegamos a um acampamento que já havia sido usado anteriormente por outros grupos, com uma estrutura de madeira para amarrar as redes e umas lonas para nos proteger da chuva, se vier a cair. Como o grupo era maior do que eles normalmente trazem para a floresta, tivemos que improvisar um pouco e colocar outra lona.

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Dai o trabalho começou, as mulheres com a Janet amarando as redes e os mosqueteiros, outras saíram para achar pratos, folhas grandes que poderíamos usar para comer o jantar. E os homens saíram com o Sean e o Silas na floresta para achar madeira para a fogueira e para sustentar melhor o acampamento. Com tudo quase pronto e a noite caindo o jantar começou a ser feito, dois peixes gigantes na grelha, a fogueira começa a juntar nos todos ao redor, famintos e cansados à espera desse peixão. O jantar foi um sucesso, uma delícias, sei lá que tipo de tempero eles colocaram, mas estava de lamber os lábios.

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Todos alimentados e felizes a festa começa, uma menina irlandesa, o Jack e um dos guias começam a dar um show de dança, uma comédia, esse foi o entretenimento da noite. Quer dizer, depois do jantar saímos para ver jacarés, e não só isso o guia Sean pegou um com as suas próximas mãos. Loucura! Ele trouxe para o barco e vimos de perto este animal pré-histórico, deu até para tocar! Medinho!

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Hora de dormir, tudo parece calmo e perfeito para uma boa noite de sono. Algumas pessoas foram para as redes outras ficaram um pouco mais em volta da fogueira. Eu já estava na rede pronta para dormir, quando o Jack senta na sua rede, com um barulho gigante o acampamento desaba, e todos fomos ao chão. Devia ter umas 7 pessoas já deitadas, quer dizer menos da medida. Tivemos muita sorte que ninguém se machucou. Uma madeira de suporte das redes tinha quebrado por estar muito velha. Dai começa o pânico, algumas discussões para decidir o que vamos fazer. Tentar consertar o acampamento ou voltar a noite para o hotel.

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Os alemães sendo alemães queriam voltar, mas a maioria votou para tentarmos consertar e dormir lá memo. Então algum caras foram na floresta a procura de uma árvore, cortaram, super ecológico, e consertaram o acampamento. Os alemães voltaram para o hotel, não acreditaram que seria seguro dormir lá, mas como quem entra na chuva é para se molhar é claro que ficamos lá. Daí no meio da noite uma outra parte do acampamento veio a cair também…kkkkkk…. Desastre de novo! Dessa vez foi pior a madeira que quebrou estava cheia de formigas, que começaram a entrar nas redes dos eslovénios, que tiveram a brilhante ideia de colocar fogo nas formigas e deu certo. Depois dos 2 insistentes todos dormiram em paz e felizes! Foi uma comédia grega, com várias tragédias mas super cômica. Pelo menos temos boas história para contar dessa noite .

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3 Dia

Voltando para o hotel depois da “maravilhosa” noite de sono. Tomamos café da manhã e saímos de barco para pescar piranhas. Isso mesmo vamos pescar esse peixinho super perigoso que pode nos comer. Ui! A pesca foi bem produtiva, pegamos 6 com um tamanho comivel. Para mim, mesmo tendo pescado duas achei um pouco entediante, acho que não nasci para pescar. Na volta é claro que tivemos piranha para almoço. Gostosinhas, mas com muitas espinhas, bem difícil de comer. Depois do almoço várias pessoas voltaram para Manaus, e um outro grupo chegou com dois casais iranianos, um casal da Suíça e um francês.

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Pela tarde saímos para visitar uma família local. Uma casa bem simples mas é claro com uma tv e uma antena gigante fora da casa. Toda de madeira, com 3 cômodos, cozinha e dois quartos. Um para o casal e o outro para o resto da família. Todos aqui dormem em redes, então de dia os espaços ficam vazios, com a redes amarradas na parede. Uma família com várias crianças, todas meninas e todas frequentam a escola. Conversamos com eles e conhecemos a casa de farinha no fundo da casa. Vimos um pé de açaí e cupuaçu. Provamos a fruta do cupuaçu, um gosto super forte, acho que fica melhor para suco ou doce mesmo. A família vive com muito pouco, a pesca diária, produção de farinha de mandioca para venda e consumo e a ajuda do governo. Uma coisa que nos falaram por lá é que ninguém passa fome no norte, a natureza é muito vasta por lá. Saímos de lá com o coração em paz, entendendo um pouco mais que é possível viver com pouco. Que consumo não é luxo e sim a natureza.

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4 Dia

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No nosso último dia na mata acordamos cedo como qualquer outro dia, café da manhã no hotel e saímos remando com canoas pequenas. Como as alemãs já haviam ido embora, éramos só eu e o Jack. Cada um em uma canoa, mas é claro que acompanhados com um guia e o Silas. Entramos em um Igarapé super longo e fomos remando o caminho todo, observando a floresta, os pássaros e a vista maravilhosa do meio da mata. Vimos várias iguanas suicidas, elas se jogam do alto das árvores para o rio. Você só escuta um barulhão. Uma quase caiu dentro da canoa, que susto tomamos.

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Escutamos um super jacaré, pelo barulho era gigante, até deu medo se esse bichão resolve dar um oi, o que é que vamos fazer. O passeio foi super legal, sem o barulho do motor de barco, que depois de alguns dias te dá nos nervos.

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Outra coisa é que por não estarmos acostumados a passar tantas horas no barco, quando você sai do barco a vista ainda fica balançando. Muito estranho, parece que você está tonta o tempo todo.
Depois do passeio voltamos ao hotel para o almoço e arrumar nossas malas a hora de voltar a Manaus chegou infelizmente. Pegar uma voadeira, uma van, outra voadeira e outra van…. Uma expedição!

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Uma curiosidade é que em Manaus e em todo Amazonas, tem bastante pessoas da Guyana. Quase todos os nossos guias eram de lá. Como eles falam inglês, muitos deles vem para o Brasil para trabalhar com turismo. Eles nos falaram que as condições de trabalho e o dinheiro é bem melhor por aqui. E se você é de alguma tribo próxima a fronteira, tem a possibilidade de ter as duas nacionalidades. Daí muitos deles preferem vir para o Brasil. Interesante, né!

Foi uma experiência incrível, eu voltaria hoje se pudesse, e se tivesse a chance gostaria de dormir mais uma noite na mata. Mesmo com tudo o que aconteceu, ficar a noite no meio da floresta não tem preço.

Preços:

  • Tour na floresta: R$800 / €220
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